terça-feira, 17 de novembro de 2009

Audio-descrição



 Áudio-descrição: Orientações para uma Prática sem Barreiras Atitudinais

A áudio-descrição, como poderá avaliar, é muito mais que teatro, cinema e TV: é educação, cultura, é saúde, é direito ao lazer e ao trabalho com segurança. Sem ela, é inacessibilidade a todo um mundo de imagens, ainda hoje negligenciado pelos educadores aos estudantes com deficiência; pelos profissionais de RH e gerências diversas, aos trabalhadores com deficiência; pelos médicos e serviços de saúde em geral, aos pacientes com deficiência; pelos pais, psicólogos e outros, às crianças com deficiência etc.
Em suma, a falta da áudio-descrição é a confirmação de que as configurações visuais (imagens em geral) têm sido denegadas aos milhares de cidadãos com deficiência, num deliberado prejuízo à sua formação e informação.
Temos a oportunidade de mudar isso, queremos? será que as Instituições querem ver as pessoas com deficiência exercendo a livre e independente capacidade de decidir pelo que querem ter para si, ter áudio-descrito, com qualidade e sem restrições tudo que está disponível aos demais cidadãos que enxergam?
Na resposta dada pelo Ministério das Comunicações, pela Portaria 661, vê-se margem para que as Instituições ditem o que querem e se querem a áudio-descrição para as pessoas com deficiência visual, limitando que essas pessoas falem por si, isto é, colocando em dúvida se elas têm capacidade de o fazer .
Elas podem falar por si, certa e indubitavelmente. A exemplo disso, digo:
Quero ter acesso a tudo que outra pessoa possa ter acesso. Nada disso de conteúdo mais ou menos adequado para a áudio-descrição. Se for um filme de sacanagem, quero; se for um filme de terror, quero também; se for um documentário sobre alimentos naturais, quero e se for um documentário sobre o poder da mídia, quero também. O que não quero é que alguma Instituição venha dizer que filmes sobre sexo não devem ser áudio-descritos; que documentário sobre o uso do preservativo não deve ser áudio-descrito; o que não quero é que, ninguém para que eu não tenha passado procuração venha dizer o que a mim me deve ser áudio-descrito, restringindo o meu direito de escolha, de igualdade de oportunidade, de acesso aos bens e serviços disponíveis aos demais, as pessoas videntes.


Francisco J. Lima[1]
Lívia C. Guedes[2]
Marcelo C. Guedes[3]

[1] Professor Adjunto da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Coordenador do Centro de Estudos Inclusivos (CEI/UFPE); Idealizador e Formador do Curso de Tradução Visual com ênfase em Áudio-descrição “Imagens que Falam” (CEI/UFPE).
[2] Áudio-descritora, Pedagoga e Mestra em Educação pela UFPE.
[3] Áudio-descritor, Graduando em Comunicação Social:: Cinema Digital
  Fonte: http://www.vezdavoz.com.br/

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