Minha dor “se derrete e vai embora” à medida que me absorvo na música. Eu vejo o Ipod da mesma forma que eu vejo minha medicação. Acredito que a música potencialize a ação do medicamento. Todas as coisas se acalmam quando eu ouço meu Ipod.
Steve
Música e Memória é uma organização sem fins lucrativos que traz música personalizada e tecnologia musical a idosos ou enfermos por meio digital, o que representa uma melhora considerável na qualidade de vida desses indivíduos.
Musicoterapeutas licenciados e outros especialistas da área de saúde, colhendo informações junto aos familiares de pessoas em instituições de saúde, asilos, criam listas de músicas personalizadas aos pacientes. Estas listas são carregadas em MP3 / iPods para que os pacientes possam ouvir as músicas que amam, melhorando a sua saúde e bem-estar. Listas de músicas podem ser criadas para indivíduos com doença de Alzheimer e outras formas de demência, doença de Parkinson e depressão ou ansiedade. Pesquisas demonstram que os pacientes que se submetem a esse tipo de terapia musical tornam-se menos agitadas e demonstram uma melhoria significativa no seu estado de humor.
A música tem o poder de re-conectar as pessoas as suas memórias, o que é especialmente importante para as pessoas com Alzheimer, que apresentam uma perda do senso de identidade e que perdem, também, a capacidade de fazer conexões com as pessoas e coisas que as rodeiam.
Esse trabalho é feito da seguinte forma: uma lista com músicas especialmente significativas para a vida de uma pessoa idosa com Alzheimer, por exemplo, é elencada após um levantamento feito junto aos familiares dessas pessoas. Essas músicas são gravadas e ficam disponíveis nos aparelhos de MP3/ Ipod para que um dos trabalhadores da instituição, uma enfermeira, no caso, fique com a incumbência de entregar esses aparelhos aos pacientes, no período da manhã, para que eles possam ouvir essas músicas.
A transformação que ocorrem nesses pacientes pode ser ilustrada no depoimento de Oliver Sacks, neurologista norte-americano:
Quem viu Henry , inerte, depressivo e quase morto e depois quando recebeu um Ipod com suas músicas favoritas, percebe logo a diferença, pois imediatamente ele se iluminou. Seu rosto passou a ter expressão , seus olhos abriram muito, ele passou a se mexer, se movimentar, cantar, mover os braços. Ele foi animadopela música. (...) o efeito não termina, porque depois que ele tira os fones, aquele Henry que não conseguia responder questões simples com um sim ou não passa a apresentar respostas que fazem sentido para a sua vida. Então de alguma forma Henry foi restaurado para si mesmo, passou a se lembrar quem é , readquiriu sua identidade através do poder da música. Com essa nova e magnífica tecnologia pode-se ter todas as músicas significativas para si mesmo , o que eu entendo como muito importante: ajuda animar, organizar,e trazer o senso de identidade, para pessoas que estão fora de si mesmas, eu diria, recuperar a identidade dessas pessoas através da música.
Finalizando temos a terapia musical como uma das formas de terapia não medicamentosa que proporciona um efeito extraordinário na qualidade de vida das pessoas com demências.
Que essa terapia também cheguem até nós, os familiares e as pessoas com demências agradecerão imensamente!
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