sexta-feira, 2 de abril de 2010

Atividades marcam o Dia Mundial do Autismo hoje em João Pessoa

02 de abril de 2010

A Associação de Pais, Amigos e Simpatizantes do Autista fará panfletagem e outras ações na Praia de Tambaú, para conscientizar a população



Cleane Costa

Repórter

Nesta sexta-feira (2) se comemora o Dia Mundial do Autismo, cujo objetivo é esclarecer o significado desta palavra e disseminar informações sobre a importância do diagnóstico e da intervenção precoce. Na Paraíba, a data será lembrada pela Associação de Pais, Amigos e Simpatizantes do Autista - Asas, com uma panfletagem no Busto de Tamandaré, em Tambaú, das 17h às 19h, para orientar a população sobre como identificar um autista.

Este é o segundo ano que a Paraíba comemora a data com uma atividade nas ruas. No ano passado, foi feita uma mobilização na Praça João Pessoa, em frente à Assembleia Legislativa, que será novamente realizada este ano no próximo dia 7, a partir das 10h, tendo em vista que a data comemorativa caiu no período da Semana Santa - Sexta-feira da Paixão. Por conta disso, a Asas também programou ações nas escolas ao longo da semana seguinte à Semana Santa.
O autismo é uma síndrome caracterizada por uma gama de distúrbios que afetam três áreas do desenvolvimento da pessoa: a comunicação, a socialização e o foco de interesses, mostrando comprometimento em graus variados, fazendo parte, portanto, dos chamados Transtornos Globais do Desenvolvimento que, segundo dados da Organização Mundial de Saúde - OMS, afetam pelo menos uma em cada 160 pessoas.



A diretora social da Asas, Elisa Aragão Vieira, explica que, pela dificuldade em se diagnosticar a síndrome, ainda não existe um censo relativo ao autismo no Brasil. Por isso, com base nos dados da OMS, estima-se que na Paraíba existam cerca de 15 mil autistas.

Ela observou que o autismo é a síndrome que mais afeta a população (mais até do que a síndrome de Down), porém, como não há diagnóstico médico para os casos, torna-se difícil a sua identificação.
Elisa Aragão comentou que o diagnóstico é feito através de uma combinação de fatores, pois não há testes laboratoriais ou de imagem que possam diagnosticar a síndrome.

O comportamento é o mais afetado, seguido da audição. "Mas isso não significa que o autista é surdo. Ele ouve bem, porém não verbaliza o que escuta e por isso não dá importância ao que se está falando com ele", explicou.

Associação vê o diagnóstico precoce como principal dificuldade

O diagnóstico precoce, segundo da Associação de Pais, Amigos e Simpatizantes do Autista - Asas, Elisa Aragão, é a principal dificuldade. E alerta: quanto mais cedo se inicia o tratamento, melhor é o resultado e a evolução do autista. Isso contribui para que um autista tenha mais autonomia e qualidade de vida, citando como exemplo o caso de uma pessoa com 18 anos usar fraldas por não ter sido ensinada, logo cedo, a usar o banheiro.

É por isso que esta é a principal bandeira de luta da Asas, até porque também é difícil encontrar especialistas que tenham conhecimento mais profundo nesta área.


Elisa Aragão orienta que, ao notarem um comportamento diferente em seus filhos, os pais devem procurar um neuropediatra, considerado o especialista com mais condições de avaliar a síndrome.
A diretora social da Asas comentou também que a falta de informação, aliada a pouca ação por parte de órgãos públicos se constitui em outra dificuldade para tratamento do autismo.
"Os poucos órgãos existentes para tratamento da síndrome são muito caros e os órgãos públicos não estão preparados para trabalhar com o autista", destacou.
Ela esclareceu que o autista precisa de uma ação exclusiva e de um acompanhamento multidisciplinar, com fonoaudiólogo, psicólogo, psicopedagogo, pedagogo, neuropediatra e pediatra.
Na Asas, as 20 crianças cadastradas têm acompanhamento com fonoaudiólogo e psicólogo e elas são direcionadas para instituições que possam dar o apoio necessário, uma vez que o autista precisa desenvolver atividades lúdicas e pedagógicas voltadas para ele.
"O autista tem que frequentar uma escola regular, mas a metodologia deve ser adaptada, porque ele tem dificuldade de entender a coisa abstrata, mas tem facilidade de assimilar pelo visual", esclareceu, adiantando que a entidade está preparando as escolas para receber os autistas, fazendo palestras e capacitando professores para entender e saber trabalhar com o portador da síndrome.

Autismo é um transtorno e atinge crianças de dois anos

O autismo é um transtorno definido por alterações presentes antes dos três anos de idade e que se caracteriza por alterações qualitativas na comunicação, na interação social e no uso da imaginação é uma inadequacidade no desenvolvimento que se manifesta de maneira grave por toda a vida.

Ele é incapacitante e aparece tipicamente nos três primeiros anos de vida. Acomete cerca de 20 entre cada 10 mil nascidos e é quatro vezes mais comum no sexo masculino do que no feminino. É encontrado em todo o mundo e em famílias de qualquer configuração racial, étnica e social. Não se conseguiu até agora provar qualquer causa psicológica no meio ambiente dessas crianças, que possa causar a doença.

Segundo a Associação Americana de Autismo., os sintomas são causados por disfunções físicas do cérebro, verificados pela anamnese ou presentes no exame ou entrevista com o indivíduo.



histórico

Foi descrito pela primeira vez em 1943, pelo médico austríaco Leo Kanner, trabalhando no Johns Hopkins Hospital, em seu artigo Autistic disturbance of affective contact, na revista Nervous Child, vol. 2, p. 217-250. No mesmo ano, o também austríaco Hans Asperger descreveu, em sua tese de doutorado, a psicopatia autista da infância. Embora ambos fossem austríacos, devido à Segunda Guerra Mundial não se conheciam .

A palavra "autismo" foi criada por Eugene Bleuler, em 1911, para descrever um sintoma da esquizofrenia, que definiu como sendo uma "fuga da realidade". Kanner e Asperger usaram a palavra para dar nome aos sintomas que observavam em seus pacientes.

O trabalho de Asperger só veio a se tornar conhecido nos anos 1970, quando a médica inglesa Lorna Wing traduziu seu trabalho para o inglês. Foi a partir daí que um tipo de autismo de alto desempenho passou a ser denominado síndrome de Asperger.

Nos anos 1950 e 1960, o psicólogo Bruno Bettelheim afirmou que a causa do autismo seria a indiferença da mãe, que denominou de "mãe-geladeira'". Nos anos 1970 essa teoria foi rejeitada e passou-se a pesquisar as causas do autismo. Hoje, sabe-se que o autismo está ligado a causas genéticas associadas a causas ambientais. Dentre possíveis causas ambientais, a contaminação por mercúrio presente em vacinas tem sido apontada como forte candidata, assim como problemas na gestação. Outros problemas como infecção por cândida, contaminação por alumínio e chumbo também devem ser considerados.

Lei cria sistema de atendimento na PB
No ano passado, o Governo do Estado sancionou a Lei de número 8.756 instituindo o Sistema Estadual Integrado de Atendimento a Pessoa Autista, bem como as diretrizes para a plena efetivação dos direitos fundamentais decorrentes da Constituição Federal e das leis, que propiciem o bem-estar das pessoas autistas. A lei, inclusive, está servindo de modelo para Estados do Sul e Sudeste do país.

Além de garantir distribuição gratuita de medicamentos a todos os pacientes, sem interrupção do fluxo, a lei também garante informação, formação e treinamento adequado aos profissionais e estudantes das áreas de Saúde, Educação e Assistência Social. E ainda gratuidade nos transportes públicos e vagas especiais nos estacionamentos de veículos, entre outros benefícios.

Com base nesta lei, a Associação de Pais, Amigos e Simpatizantes do Autista - Asas entregou um projeto ao secretário da Educação e Cultura, Francisco Sales Gaudêncio, visando uma parceria para colocá-la em prática.

"A lei é muito boa. Ela prevê assistência, educação, saúde e assistência às famílias do autista, que têm dificuldade para aceitar e conviver com o portador da síndrome", declarou Elisa Aragão, diretora social da entidade.

SAIBA MAIS

Instituição da data

A Organização das Nações Unidas - ONU instituiu o dia 2 de abril como o Dia Mundial da Consciência do Autismo. Mobilizou-se, assim, para mostrar ao mundo que há pessoas um pouco diferentes das outras, mas que, na sua essência, são tão humanas quanto todos, podendo enfrentar as dificuldades e as barreiras que a sociedade lhes apresenta. Alguns conseguem mesmo constituir família e ter uma vida profissional normal.

características do autismo

Segundo a ASA ( Associação Americana de Autismo), indivíduos com autismo usualmente exibem pelo menos metade das características listadas a seguir:



Dificuldade de relacionamento com outras crianças

Riso inapropriado

Pouco ou nenhum contato visual

Aparente insensibilidade à dor

Preferência pela solidão;

modos arredios

Inapropriada fixação em objetos

Perceptível hiperatividade ou extrema inatividade

Ausência de resposta aos métodos normais de ensino

Insistência em repetição, resistência à mudança de rotinas

Não tem real medo do perigo (consciência de situações que envolvam perigo)
Procedimento com poses bizarras (fixar objeto ficando de cócoras; colocar-se de pé numa perna só; impedir a passagem por uma porta, somente liberando-a após tocar de uma determina maneira os alisares)

Ecolalia (repete palavras ou frases em lugar da linguagem normal)

Recusa colo ou afagos
Age como se estivesse surdo
Dificuldade em expressar necessidades - usa gesticular e apontar no lugar de palavras

Acessos de raiva - demonstra extrema aflição sem razão aparente

Irregular habilidade motora - pode não querer chutar uma bola, mas pode arrumar blocos



Editoração: roberto dos santos

Fonte: http://www.auniao.pb.gov.br/v2/index.php?option=com_content&task=view&id=35160&Itemid=74

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